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Informação - A todos quantos pretendem inscrever-se na actividade de montanha XIX Abrilmarão 2009, solicita-se o favor de ser mencionado, aquando da inscrição se são ou não federados e indicarem por favor, qual o número de carta de campista ou de montanheiro, a idade, e o clube onde estão filiados. Obrigado pela compreensão.


Notícias


Marcha da Segunda Invasão Napoleónica



Para assinalar a passagem do II Centenário da defesa da Ponte de Amarante, a Câmara de Amarante e o Círculo Lago Cerqueira vão através de uma marcha pedestre, fazer a reconstituição do percurso feito pelas tropas do General Loison desde o limite do concelho em Vila Meã até à Ponte de Amarante.

Esta actividade de pedestrianismo terá lugar no dia 4 de Abril, com concentração às 9 horas, na entrada do Parque Florestal, esta marcha tem essencialmente um percurso desportivo, paisagístico e histórico com grau de dificuldade médio.

Tem a colaboração do Amarante Futebol Clube – Grupo de Montanha, Banda Musical de Amarante e Corpo Nacional de Escutas 448 de Amarante.

Abrilmarão 2009

Exmo.Sr.

Caro Companheiro Ruben Jordão

FCMP-LISBOA

ASS: ABRILMARÃO 2009: 25 DE ABRIL EM CANADÊLO-AMARANTE

Caro Companheiro

Ligou-me o meu Coordenador, Companheiro José Cândido Brandão, para enviar a seu cuidado umas notas sobre o nosso próximo AbrilMarão-2009, que se realizará no dia 25 de Abril (- Feriado Nacional), completando-se assim a XIX edição ininterrupta, tendo em vista - e fazer menção - no próximo número da nossa Revista*.

Privilegiaremos a aldeia e montados de Canadêlo, provavelmente a mais remota, mas não menos importante, a meu ver, do Município de Amarante que dista cerca de 18 quilómetros da Cidade.

Canadêlo, no Município de Amarante, é a primeira aldeia amarantina sobranceira do Rio Ôlo, Rio intocável até ao momento, que acaba por afluir, bem lá abaixo, no Borralheiro, num abraço-mór do Tâmega, como ele também, que o encaminha até ao Douro.

Para além destes dados, é nosso propósito alencar a figura tutelar desta aldeia e a sua obra literária, do nosso conterrâneo (e meu familiar) já falecido: Dr.Ilídio Sardoeira, nascido em 15/11 do passado século, nesta aldeia da falda oriental do Marão.

Até ao momento, houve sempre o direito de ser sistemática e imperdoavelmente votado ao esquecimento ou, de outro modo, não lhe ter sida alavancada, como devia, a sua obra docente, artística, social e política, pelos edis e responsáveis políticos e culturais, à testa os de Amarante, de onde Ilídio é natural.

Lá para os lados das Murtas, colocaram uma placa: “Praceta…”. Não teve direito a “Praça”. A uma rua, a uma avenida! Na sua terra natal, Canadêlo, outra placa mal disfarçada: “Aqui nasceu…”, cravada na casa onde nasceu e viveu a sua adolescência. Em Rebordelo, onde casou, pelo menos aqui se encontra uma rua com o seu nome!

Ele que tanto amou (e estudou) o que de melhor encontrou na sua terra (- Portugal e Amarante) e o seu povo, durante a sua vida de Cidadão (com letra grande, pois claro!), para além da sua actividade docente, nomeadamente na vertente de Biologia (em que era licenciado), contista, ensaísta, escritor e poeta; pedagogo e professor-metodólogo e inspector-orientador do Ensino Básico de referência nacional sobretudo no pós-25 de Abril; sócio das: Sociedade de Geografia de Lisboa, Associação Portuguesa de Escritores e Associação Portuguesa de Escritores, Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e, ainda, como interventor político, como por exemplo e mais recentemente, como Deputado à Assembleia Constituinte, em 1976 (eleito nas listas do MDP/CDE) pelo Distrito do Porto.

Colocou sempre à frente de si próprio com a sua verbe (pela “palavra lavada”, que sempre iconozou nas intervenções públicas numa exímia arte de pedagogia em transmitir outras visões (“divergentes”) da realidade, do status quo.

Colocou, particularizando, algumas referências geo-fisicas, culturais e artísticas que encantaram toda a sua vida, oirando no livro da memória colectiva, a maior parte das vezes, quando, como Pascoaes dizia, o povo português perdera o direito de pensar em voz alta,, a saber : Canadêlo, Amarante, Vila Nova de Gaia, Ponta Delgada, Figueira da Foz. Raul Brandão, José Régio Mário de Azevedo Gomes, (Prof.) Mário Silva, Vergílio Ferreira, Bento de Jesus Caraça, Amadeo de Souza Cardoso e, sobremaneira, Teixeira de Pascoaes!

Voltemos a Canadêlo: é uma pequena aldeia-fronteira do nordeste do província do Douro Litoral. Paredes meias com a aldeia da Campeã, do vizinho distrito de Vila Real. Que sofreu níveis exponenciais de rarefação humana a partir da década de 60 do século XX, não se subtraindo, neste domínio, à diminuição de residentes – emigrantes que demandaram outros países mais compensadores (e libertadores? - que graçou e graça o interior norte do País. Não escapou ainda, porventura, à sua menorização e diminuação de importância que, com um envelhecimento populacional concorre para isso mesmo, ao cabo e ao resto corolário do que por Portugal perpassa. E à distância – muito distante! - dos centros decisórios mais próximos, tem sido pasto sempre aberto a aventuras proto-políticas, não escapando, pela iliteracia e clarividência, a entronização de messias ocasionais, pseudo-redentores da sua marginalização não escolhida!

Noutra vertente, é já História de Canadêlo, a existência de uma industria mineira de calcário, soçobrada até meados do Séc.XX, porventura incipiente aos nossos olhos de hoje, mas que efectivamente é ainda referenciada como empregando muitos braços (de casais) disponíveis da aldeia para a extracção deste minério, no tempo, muito procurado, já que a qualidade da matéria-prima extraída era tida de excelente qualidade.

A juzante desta incipiente e, pelos vistos, ocupação familar, para completar o ciclo económico, mais trabalho era utilizado para a preparação de cal - cal castanha - e para o transporte por burros/jumentos (vulgo: pelas burras de Canadêlo), quase sempre pouco lanudos (- dizem-nos!), até aos mercados carentes e apreciadores deste produto, sobremaneira para Amarante, a mais de três léguas de distância, para onde, nos costados e garupas destes asininos, se transladavam pesadas cargas desse nem sempre alvo produto.

Presentemente, a grande riqueza material de Canadêlo, situa-se na extração de produtos florestais de que possui uma assinalável mancha: eucaliptal, pinhal e resina que, deduzo, à falta de dados credíveis, se colocam por esta ordem decrescente de importância económica. Como tal, muito dependente da sempre inconstante lei da oferta/procura ditada pela poderosissima e sacrossanta industria de celulose cuja cultura intensiva, a médio longo termo, a pode descaracterizar em termos ambientais, dada a monocultura de floresta de rápido crescimento que tem secundarizando a que, aqui e ali, vai teimando em prevalecer: a floresta autóctone e a consensualmente adaptada, de folhosas e de folha caduca.

Não sendo de desprezar o capital humano que ainda existe e resiste ao desenfreamento e à voragem dos tempos que correm, é julgado que, em futuro mais ou menos breve, os aspectos lúdicos e fundamentalmemente à Natureza ligados, serão a grande aposta que esta aldeia pode vir a ser referenciada e exponenciada, todavia sem haver o direito de subverter o ainda referenciável como Aldeia Preservada.

"Basta conhecê-la!" - repto que lançamos aos nossos companheiros montanheiros.

Com um abraço e saudações montanheiras

João Sardoeira

CM 599/FCMP

Grupo de Montanha do Amarante F.C.

* Este texto foi enviado para, na parte e/ou no todo, ser utilizado na edição de Março de 2009 da revista da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.